terça-feira, janeiro 25, 2005

Até sempre

Faz hoje um ano, já a noite se fazia sentir em todo este país à beira-mar plantado, que o povo visionava em casa ou nos cafés o jogo do Benfica em Guimarães, debaixo de uma chuva intensa.
O jogo arrastava-se para o fim com um doloroso empate, até que Camacho, na altura treinador do Benfica, colocava em campo Fernando Aguiar, o salvador dessa noite, com um golo para mais tarde recordar. Na altura, os comentadores tentavam tirar a limpo se teria ido ou não em offside, aquando do passe de Miklos Féher.
Mas, passados alguns minutos nada disso teria mais importância.
Passados alguns minutos jazia no terreno do Municipal de Guimarães, que se começava a engalanar para a recepção do Euro, um jovem de tenra idade, no alto do seu 1,86 m, e deixava todo o futebol de luto.
Na altura, talvez por razões sádicas, como é nosso infeliz costume, criticou-se a actuação da direcção do Benfica em explorar a morte até à exaustão, chegaram alguns mesmo, a dizer que alguns jogadores forçavam o choro para não parecer mal.
Nunca acreditei e ainda hoje tenho a certeza que esses mesmos que disseram essas aberrantes afirmações tenham-nas feito no imediato, tendo posteriormente pensado melhor no que tinham dito.
Hoje, celebra-se um ano da morte de um jogador com um futuro largo à sua frente.
Muitos lembram-se do seu último sorriso antes de capitular na relva do estádio sedeado na nossa “casa-mãe”. É com certeza o momento de marca na vida e morte de Miki, mas permitam-me que diga, que mais que aquele sorriso, nunca esquecerei aquele momento mágico que assisti no Bessa, na vitória sobre o La Louviére.
Fui a esse jogo por grande pressão de um grande amigo, que lá ia trabalhar, na medida em que, não era decididamente um jogo que me cativasse uma viagem Lisboa-Porto-Lisboa, e suas consequências físicas.
Hoje, digo-lhe aqui, porque sei que irá ler estas minhas linhas, obrigado por me teres ajudado a assistir ao último grande momento de Féher.
Miklos Féher será sempre lembrado em qualquer estádio deste país. Por muitos anos que viva nunca conseguirei esquecer aquele momento, e julgo poucos serão aqueles que daqui a vinte ou trinta anos se esquecerão.
Muitos podem dizer que é apenas uma morte, mas não foi nem será apenas uma morte. A morte em directo tem custos na nossa mente inimagináveis, e antes de Miki, infelizmente tive a oportunidade de assistir a pelo menos uma, em circunstâncias diferentes, onde a lei da guerra imperava.
Julgo que de todas as afirmações que li e ouvi na altura, esta será uma das mais marcantes, talvez por ser um homem emotivo, talvez porque por detrás do guerreiro há um homem, por isso, fez capa na Marca há um ano o seu choro convulsivo.
“Foi a viagem mais difícil da minha carreira. É impossível comparar com uma viagem que se faz quando se perde um jogo ou um título. Qualquer destas situações tu podes mudar no futuro, com o teu trabalho. A morte do Fehér não depende em nada de ti.”

Até sempre, Miki!

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Até sempre também aos desgraçados que morrem todos os dias e não têm a sorte de serem jogadores de futebol. Já agora, uma mensagem de parabéns ao senhor Luís Filipe Vieira por ter conseguido lucrar com a morte de uma pessoa.

Ass: Mitras Robalésios

3:10 da manhã  
Blogger Chalana said...

Terá o Mitras se esquecido de há quanto tempo andam a falar do very-light.
Não tenho mais comentários sobre este tema, a morte não se discute, sente-se.

9:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O caso do Very Light foi um assassinato - premeditado ou não -, não um ataque cardíaco. Não se tratou de um jogador de futebol, odiado pelos adeptos do clube que representava e rebaixado pelo presidente da "instituição", mas sim de um "comum mortal". Além de haver uma enorme diferença entre o significado que ambas as pessoas tinham para a sociedade - um tem um valor claramente exacerbado, como qualquer futebolista, equanto que o outro apenas tem valor para a sua família. É perfeitamente natural que ainda se fale no caso do Very Light, especialmente no aspecto de se desenvolverem, cada vez mais, as medidas de segurança nos estádios de futebol. Outra diferença reside no facto de o senhor Luís Filipe Vieira se ter aproveitado da morte do jogador para depois encher o estádio e aproveitar para tecer uns comentários perfeitamente estapafúrdios sobre o estado do futebol em Portugal, enquanto que os dirigentes leoninos se dignaram a organizar uma corrida de touros visando entregar os lucros - não se parciais ou totais - à família de alguém que poucos conheciam e se dirigiu a um estádio de futebol para presenciar a final da Taça.

2:56 da manhã  

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